O senador Eduardo Girão (Novo-CE) refletiu, em nota desta quarta-feira (29), o resultado da sessão do Congresso Nacional para apreciação dos vetos presidenciais, realizada no dia anterior, com importantes vitórias da oposição sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Tivemos um exemplo de como, com a mobilização do povo brasileiro, grandes vitórias podem ser alcançadas. O Congresso está de parabéns. Ontem foi uma derrota retumbante para este governo que, se continua a semear o ódio, a vingança e a irresponsabilidade com o dinheiro dos contribuintes, ao querer destruir a família, ao querer destruir a vida, os valores e os princípios do povo brasileiro, continuará sofrendo derrotas”, afirmou Girão.
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O item mais delicado da agenda foi o veto de Lula a um trecho da lei que pôs fim à soltura temporária de presos para visitarem familiares e participarem de atividades que contribuam para a vida social. O Congresso já havia acabado com as chamadas “saidinhas”, mas Lula retomou o instrumento, vetando parte da legislação.
A resposta dos parlamentares foi categórica, e as “coisinhas” foram novamente banidas: foram 314 votos para derrubar o veto de Lula na Câmara (ante 126 contra e 2 abstenções); e 52 no Senado (11 contra e 1 abstenção).
A lei teve origem no PL 2.253/2022, aprovado pelo Senado em fevereiro deste ano. Com a derrubada do veto de Lula, volta a vigorar o sentido original do texto aprovado pelo Legislativo: o benefício da soltura temporária será concedido aos presos em regime semiaberto apenas para cursar formação profissional complementar, ensino médio ou superior.
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Apesar dos esforços do governo Lula em conjunto com deputados e senadores, incluindo a participação direta de alguns ministros e membros do primeiro escalão, o veto foi derrubado, numa vitória da oposição – formada, em sua maioria, por aliados do antigo Presidente Jair Bolsonaro (PL)que sempre defenderam o fim das “pequenas coisas”.
Para piorar a situação do governo, Bolsonaro obteve mais uma importante vitória política no Congresso, com a manutenção do veto do ex-presidente à tipificação dos crimes contra o Estado Democrático de Direito – incluindo a criminalização de notícias falsas nas eleições.
Foram 317 votos a favor da manutenção, 139 contra e 4 abstenções na votação na Câmara dos Deputados. Conforme sustentaram os deputados, o veto não foi colocado em votação no Senado. A votação terminou com gritos de “Lula, ladrão, você pertence à prisão!” pelos deputados de Bolsonaro.
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Para derrubar um veto do Presidente da República é necessário o apoio da maioria absoluta da Câmara dos Deputados (257 votos em 513) e do Senado (41 votos em 81).
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Em defesa da Lava Jato
Em sua fala, o parlamentar também criticou a Ação de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPF) apresentada pelo PSOL, PCdoB e Solidariedade no Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender todos os acordos de leniência celebrados no âmbito da Operação Lava Jato.
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Segundo o parlamentar, os partidos sustentam que os acordos foram alcançados sob coação e com recurso à prisão preventiva prolongada. Girão destacou que a operação resultou em 278 acordos de leniência aprovados, que geraram um compromisso de R$ 22 bilhões a serem devolvidos aos cofres públicos.
“Muito estranho que esses partidos de menor expressão política, os chamados ‘runts’, vão ao STF depois de tantos anos para confrontar esses acordos, visto que foram assinados, na grande maioria dos casos, sob robustas provas e confissões de pessoas corruptas, todas de alto nível na hierarquia de empresas corruptas, como diretores, presidentes ou mesmo proprietários de empresas. Vale lembrar que muitos desses acordos foram feitos com informações e aprovação de órgãos de investigação internacionais, bem como com dados fornecidos por grandes instituições financeiras de países europeus, como a Suíça”, notou.
Girão também criticou a decisão do STF que beneficiou Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht (atual Novonor), condenado na Lava Jato. Segundo o senador, o ministro Dias Toffoli suspendeu todas as ações penais que tramitavam contra Marcelo, mesmo ele sendo réu confesso.
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Para o senador, a Lava Jato começou a ser “desconstruída” e “devastada” a partir de 2019, quando passou a ser desconsiderada pelos três Poderes da República.
“O Poder Legislativo, quando vota, na calada da noite, aquela situação toda, a Lei do Abuso de Autoridade, o pacote anticrime fica desfigurado, uma série de coisas e, quando o STF, numa das maiores malabarismos já vistos, mudaram em apenas 3 anos o entendimento sobre a prisão em segunda instância por 6 votos a 5, preparando o terreno para a escandalosa decisão que suspendeu a condenação de Lula”, finalizou Girão.
(Com Agência Senado)