A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (21), o Projeto de Lei 1.213/24, do Poder Executivo, que reajusta salários para diversas categorias, prevendo diversos reajustes incorporados ao texto após negociações em mesas coordenadas pelo Ministério da Gestão, principalmente beneficiando carreiras de segurança pública.
Segundo o deputado delegado Marcelo Freitas (União-MG), os principais convênios incluídos são para a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Judiciária, com aumentos de 2024 a 2026.
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Os maiores reajustes serão para policiais penais, que chega a 77,15% em final de carreira (R$ 20 mil em 2026) e os receberá na forma de subsídio, ou seja, sem valores incorporados à remuneração por administradores ou decisão judicial. . O PRF terá reajuste de 27,48% ao final da carreira (R$ 23 mil em 2026) e o delegado da PF, 27,48% (R$ 41.350,00 em 2026).
O projeto original tratava apenas de carreiras na Agência Nacional de Mineração (ANM), na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Tecnologia da Informação e em analistas de políticas sociais. Seu conteúdo era semelhante ao da Medida Provisória 1.203/23, que expira em 31 de maio.
Freitas afirmou ter recebido vários pedidos de mudança de diversas carreiras públicas, para aumento de remuneração ou mudança de cargos. “Para racionalizar o nosso trabalho, adotamos duas diretrizes sólidas: o respeito aos acordos firmados entre as categorias e o Executivo, pela Mesa Nacional de Negociação Permanente, e a estrita observância dos limites orçamentários impostos pelo Marco Fiscal”, disse.
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Mineração
O texto equaliza os salários das carreiras da Agência Nacional de Mineração (ANM) com os das demais agências reguladoras ao longo de três anos (2024 a 2026).
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a lei que criou a ANM (Lei 13.575/17) não previa equiparação salarial com os demais órgãos, causando uma diferença de até 40%.
Para o cargo de Especialista em Recursos Minerais, por exemplo, em nível superior, o salário máximo em 2023 de R$ 18.715,75 passa a ser de R$ 20.401,35 em 2024 e chega a R$ 22.929,74 em 2026, quando a remuneração é transformada em subsídio. Esses valores são os máximos possíveis no último padrão da carreira.
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Ao receber um subsídio, apenas poderão ser pagos valores a título de gratificação de Natal fora deste valor; férias adicionais; subsídio de permanência; remuneração pelo exercício de funções de administração, chefia ou assessoria e outras remunerações previstas na lei.
O cargo de Técnico em Atividades Mineiras, de nível intermediário, também terá reajuste e pagamento por subsídio em 2026. Essa forma de pagamento também será aplicada ao Analista Administrativo e ao Técnico Administrativo atuante no órgão. O relator acatou a mudança para equiparar o mandato dos diretores da ANM aos das demais agências reguladoras, passando de 4 anos com recondução para 5 anos sem recondução.
“Um projeto muito justo porque reestrutura carreiras que estavam completamente abandonadas com a visão que prevalecia anteriormente”, afirmou o deputado Rogério Correia (PT-MG).
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Porém, segundo a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), há muita distorção no número de carreiras no Estado, com grande número de cargos. “Estamos criando mais Estado, mais inchaço, sem reforma administrativa”, disse ela.
Agências
O delegado Marcelo Freitas incluiu dispositivo para permitir que funcionários de todas as agências reguladoras exerçam outra atividade profissional, caso não esteja “potencialmente causando conflito de interesses”.
Assim, o texto revoga parte da Lei 10.871/04 que proíbe esses empregados de exercer regularmente outras atividades profissionais, inclusive gestão operacional de empresa ou gestão de partido político.
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Carreiras na Funai
O projeto reclassifica os cargos de Indigenista Especializado e Agente de Indigenismo para os cargos de Especialista em Indigenismo e Técnico em Indigenismo, respectivamente. Também reorganiza os funcionários do órgão, pertencentes a diferentes planos de cargos, em um único Plano Especial de Cargos da Funai (PECFunai).
Os empregados que ocupam cargos de especialização e outros cargos de nível superior na Funai ganharão R$ 13.028,07 em 2024; R$ 15.018,06 em 2025; e R$ 17.008,05 em 2026. Esses valores são baseados no máximo alcançável ao final da carreira.
Gapin
Para compor a remuneração desses colaboradores, o projeto cria o Bônus de Apoio à Execução da Política Indigenista (Gapin). Esse bônus será pago de acordo com a localização do colaborador que trabalha com comunidades indígenas, variando em três “faixas”:
- Faixa III (maior valor): unidades da Funai sediadas em municípios que não são capitais ou suas regiões metropolitanas na Amazônia Legal, na divisa do território nacional com Mato Grosso do Sul;
- Faixa II (valor intermediário): unidades da Funai localizadas nas capitais ou em suas regiões metropolitanas da Amazônia Legal, áreas de fronteira e Mato Grosso do Sul; ou unidades não localizadas em capitais ou em suas regiões metropolitanas fora dessas áreas;
- Faixa I (menor valor): unidades localizadas nas capitais ou em suas regiões metropolitanas e fora da Amazônia Legal, faixa de fronteira e Mato Grosso do Sul.
Caberá ao Ministério de Gestão e Inovação nos Serviços Públicos e ao Ministério dos Povos Indígenas elencar os locais de exercício de cada tipo de faixa, admitindo, em regulamento, que o bônus da faixa imediatamente superior seja concedido a locais específicos com dificuldade comprovada na constituição de servidor efetivo, caso esta se verifique após um ano da publicação da futura lei.
“O fortalecimento da Funai é urgente porque é uma carreira que foi sucateada”, disse a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG).
Médicos
Uma das mudanças no relatório de Freitas foi a inclusão de médicos e veterinários do quadro de funcionários da Funai entre os beneficiários do novo bônus, com valores iguais aos atribuídos a outros cargos de nível superior do órgão.
Tecnologia da Informação
Outro cargo que será recebido em forma de subsídio a partir de 1º de janeiro de 2024 é o de Analista de Tecnologia da Informação, que terá carreira com mesmo nome. Na última norma remuneratória, o salário será de R$ 18.118,13 a partir de 2024 e de R$ 21.613,10 a partir de 2026.
Além das atribuições já definidas em lei, o texto especifica outras, como:
- organizar, manter e controlar o armazenamento, a administração e o acesso aos bancos de dados de TI do governo;
- desenvolver, implementar, executar e supervisionar atividades relacionadas aos processos de configuração, segurança, conectividade, serviços compartilhados e adaptações da infraestrutura de TI da administração pública federal;
- realizar ações necessárias à gestão da segurança da informação dos órgãos e entidades da administração pública federal
Em relação a esta carreira, o relator permite que seus servidores sejam cedidos a órgãos ou entidades de outros poderes da União para ocupar cargo em comissão ou função comissionada em nível mínimo 15 ou equivalente.
No caso dos estados ou do Distrito Federal, poderão ser transferidos cargos de comissão de mesmo nível equivalente ou superior para exercer a função de secretário de estado.
Também poderão ocupar o cargo de dirigente máximo de órgão da administração pública de estado, distrito, prefeitura de capital ou município com mais de 500 mil habitantes.
Política social
Em relação à carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais, o PL 1213/24 propõe a reestruturação do cargo de Analista Técnico de Políticas Sociais, centralizando seu cargo no Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, que definirá em quais órgãos da administração os funcionários irão trabalhar. suas funções.
Além disso, está previsto o aumento da remuneração do cargo em três parcelas, com pagamento por subsídio a partir de janeiro de 2025. A estrutura de classes e padrões também será ampliada de três classes e treze padrões para quatro classes e vinte padrões, a fim de aumentar os níveis de desenvolvimento de carreira.
Defesa Civil
Com o objetivo de reter profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vinculada ao Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, o projeto cria o Gratificação Temporária de Proteção e Defesa Civil (GPDEC), no valor de R$ 3.824,81 para cargos de nível superior e R$ 2.448,14 para cargos de nível intermediário. De 2024 a 2026, o impacto das despesas será de R$ 5,98 milhões por ano.
Em relação a todos os servidores federais regidos pelo Estatuto do Servidor (Lei 8.112/90), o substitutivo permite que qualquer um deles, se atribuído à administração pública federal, seja designado para exercer na Sedec, fazendo jus ao GPDEC, independentemente do exercício. . cargo de comissão ou cargo de confiança.
A gratificação temporária será para até 100 funcionários que atuam diretamente em atividades “críticas finais” de defesa civil, como atuação em casos de calamidade pública. Serão 90 vagas para cargos de nível superior e outras 10 para cargos de nível médio.
Escola AGU
O texto inclui gratificações específicas para quem trabalha no ensino superior da Advocacia-Geral da República (AGU). Esse valor adicional já foi previsto para quem trabalha na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), escola de governo do Executivo federal, e no Instituto Rio Branco, para formação de diplomatas.