O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta sexta-feira (16) as decisões do ministro Flávio Dino que estabeleceram regras de transparência e acompanhamento de recursos para execução de emendas parlamentares.
Relator dos processos, Dino votou pela validação de suas decisões.
Até 1h, apenas o ministro André Mendonça também havia votado —ele acatou a decisão do relator.
Estão sendo analisadas determinações do juiz em ações que tratam de “alterações Pix” e emendas obrigatórias, em geral.
O que o STF julga?
Os ministros analisam três ações que discutem o assunto, apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pelo PSOL.
Nos dois primeiros, Dino determinou o cumprimento de regras e mecanismos de transparência para permitir o rastreamento e fiscalização das chamadas alterações Pix.
O juiz autorizou excepcionalmente a continuidade da execução desse tipo de alteração nos casos de obras em andamento e calamidades públicas.
Dino também determinou que, a partir de agora, os parlamentares só poderão destinar emendas aos estados de onde foram eleitos, vedando transferências para outras unidades da federação.
Quanto à atuação do PSOL, o ministro suspendeu, nesta quarta-feira (14), a execução das alterações obrigatórias, até que sejam criadas regras de transparência e rastreamento de recursos.
Para este tipo de alteração (impositiva), o juiz citou uma lista de requisitos a cumprir, como a apresentação prévia de um plano de trabalho, a comprovação da compatibilidade da despesa com a lei das orientações orçamentais e o plano plurianual, em além do cumprimento de regras de transparência que permitem o controle social dos gastos públicos.
Reação
As decisões de Dino sobre as emendas causaram reações negativas na cúpula do Congresso. A Câmara e o Senado chegaram a interpor recursos no STF contra a decisão que estabeleceu as regras de execução das “emendas do Pix”.
No final da tarde desta quinta-feira (15), a Câmara, o Senado e diversos partidos políticos acionaram o STF pedindo a anulação das decisões de Dino.
A ação apresentada é um pedido de suspensão da liminar. Esse tipo de processo é distribuído diretamente ao presidente do Tribunal, Luís Roberto Barroso.
O pedido é assinado pelas diretorias das duas Casas e pelos seguintes partidos: PL, União Brasil, PP, PSD, PSB, Republicanos, Solidariedade, PSDB, MDB, PDT e PT.
O voto do Dino
Em seu voto, publicado na madrugada desta sexta, Dino lembrou que “estão ocorrendo reuniões técnicas entre os órgãos interessados”, citando o Centro de Conciliação da Presidência do STF.
Ele destacou ainda que “está prevista uma reunião institucional com a presidência e demais ministros do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, além do procurador-geral da República (Paulo Gonet) e um representante do Executivo Poder, em busca de solução e consenso constitucional, que respeite o princípio da harmonia entre os Poderes”.
A consensualidade é uma das diretrizes fundamentais do Código de Processo Civil, portanto a busca pela conciliação deve continuar, principalmente quando se cuida de um sistema normativo que vem sendo praticado nos últimos anos. Vale lembrar, aliás, a suposta incidência de ideias de segurança jurídica e de não surpresa para os destinatários das normas contestadas, em relação a períodos passados
Flávio Dino
Dino disse ainda, no seu voto, que registou “o entendimento da elevada relevância dos diálogos institucionais sob a liderança do Chefe do Poder Judiciário Nacional”. “Uma vez realizados esses diálogos, a proteção preventiva poderá ser reavaliada.”
Mendonça, ao acompanhar o relator, citou quatro motivos para seu voto:
- “a elevadíssima relevância que o princípio constitucional da transparência tem, quer como valor em si (dimensão final), quer como meio de permitir o escrutínio e a fiscalização de todo e qualquer poder público, com base na actividade a desenvolver pelos órgãos de controlo interno e externo, bem como pela sociedade em geral (dimensão instrumental)”;
- “a natureza essencial da rastreabilidade para alcançar uma transparência efectiva”;
- “a ênfase dada pelo eminente relator à realização de ‘reuniões técnicas entre os órgãos interessados’, com o auxílio do Centro de Conciliação da Presidência deste Supremo Tribunal, para encontrar ‘uma solução que, com o máximo consenso possível, respeite o princípio da harmonia entre os Poderes””;
- “e, de forma particularmente relevante, a disponibilização de uma nova avaliação da proteção urgente após a realização de “diálogos institucionais” em relação à questão, o que permitirá uma reanálise mais rápida, aprofundada e específica da matéria segundo parâmetros que considerem a boa governança e a necessidade de continuidade das políticas públicas”.
Teste virtual
A Corte julga o tema em sessão extraordinária do plenário virtual que terá duração de 24 horas: teve início à meia-noite e vai até as 23h59.
Neste formato de julgamento, não há debate entre os ministros. Eles apresentam seus votos por escrito em um sistema judicial eletrônico.
A solicitação de sessão extraordinária foi feita pelo próprio Dino, relator das ações. Ele argumentou que havia “urgência excepcional” no caso, o que exigiria a convocação da sessão.
O presidente do Tribunal concordou e marcou os casos para julgamento.
Tipos de emendas
As ações analisadas pelo Supremo dizem respeito às “emendas Pix” (forma de transferência de recursos destinadas a emendas individuais) e às emendas impositivas (de execução obrigatória pelo governo).
A alteração do Pix envolve o repasse direto de dinheiro para estados e municípios, sem fiscalização do governo. O instrumento não exige a assinatura de acordo para controle da execução orçamentária e não exige a indicação do programa, projeto ou atividade que será beneficiado.
Esse tipo de transferência faz parte das emendas parlamentares individuais, que são indicadas por cada deputado e senador.
Além das individuais, há alterações de bancada. São emendas coletivas, de autoria das bancadas estaduais no Congresso.
Esses dois tipos de alterações (individuais e de bancada) são obrigatórias, ou seja, de execução (pagamento) obrigatória por parte do governo.
A obrigatoriedade do pagamento também inclui transferências via aditivo Pix (que fazem parte dos aditivos individuais).
Valores
No total, as alterações individuais totalizam cerca de R$ 25 bilhões no Orçamento deste ano, que incluem as chamadas “emendas Pix” e outras transferências com finalidade definida.
As “emendas Pix” totalizam cerca de R$ 8,2 bilhões. Segundo o Portal da Transparência do governo federal, a maior parte dos recursos já foi liberada, cerca de R$ 7,6 bilhões. Desse valor, R$ 4,4 bilhões já foram pagos.
As alterações da bancada totalizam R$ 8,5 bilhões.
Qual é o local de votação? Saiba como verificar onde você irá votar
Compartilhar:
bmg consultar proposta
banco bmg brasilia
bmg aracaju
emprestimos funcionarios publicos
qual o numero do banco bmg
simulador empréstimo consignado servidor público federal
whatsapp do bmg
telefone bmg 0800
rj emprestimos
melhor emprestimo consignado
simulador emprestimo funcionario publico
consignado publico