Candidato do PSOL a prefeito de São Paulo pela segunda eleição consecutiva, o deputado federal Guilherme Boulos garantiu, nesta quarta-feira (7), que, se eleito, formará um governo que respeitará o “equilíbrio fiscal” e não permitirá qualquer descontrole nos gastos públicos.
Segundo o parlamentar, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB)candidato à reeleição e principal adversário de Boulos, não sabe aproveitar os recursos disponíveis no orçamento da cidade e gasta mal.
“Estou totalmente comprometido com o equilíbrio fiscal da cidade de São Paulo, algo que o atual prefeito não fez. São Paulo teve um déficit de R$ 5,5 bilhões no ano passado”, disse Boulos, que participou de audiência promovida pela G1.
“Cada projeto que criamos foi feito com uma equipe de orçamento. Vemos o que cabe no orçamento. Isso tudo será feito de forma equilibrada, por etapas, com equilíbrio fiscal”, disse o deputado.
Boulos foi questionado sobre as posições mais dogmáticas de setores da esquerda e, principalmente, de seu partido, o PSOL, que geralmente se opõem a propostas de ajuste fiscal nas administrações públicas.
“O ajuste fiscal não é um horror. O que temos é uma recusa a um ajustamento feito sempre nas costas do trabalhador, nas costas dos mais pobres. Isso é inaceitável”, argumentou ela. “Há um projeto político neste país que, quando se fala em ajustamento, quer sempre cortar a saúde, a educação e a habitação, para quem mais precisa.”
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Segundo Guilherme Boulos, “o problema de São Paulo hoje não é falta de dinheiro”. “É a má qualidade dos gastos. Você teve um cálculo de gestão [do ex-prefeito Fernando] Haddad [de 2013 a 2016] o que reduziu a dívida de São Paulo. Com a venda do Campo de Marte [já no governo Nunes]zerou”, observou Boulos.
“O orçamento cresceu. Se você usar parâmetros LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] e crescimento nos últimos anos, teremos R$ 41 bilhões para os próximos 4 anos, em investimento, apenas com recursos próprios”, continuou o candidato do PSOL.
“R$ 6 bilhões foram praticamente queimados em obras sem licitação, sem planejamento e que não geraram retorno efetivo para a cidade. Há um conjunto de suspeitas de sobrepreço, como nunca antes, com diversas investigações em curso”, afirmou.
Imagem “radical”
Durante a audiência, Boulos foi questionado sobre o alto nível de rejeição que enfrenta entre alguns setores da população, especialmente devido à sua imagem de “radical” na política. O deputado está intimamente identificado com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), ao qual se filiou em 2002 e do qual foi um dos principais dirigentes, tendo inclusive participado em ocupações de terrenos e edifícios públicos.
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“Não defendo manifestações violentas. Tive uma história de 20 anos de trabalho no movimento social em que os casos de violência eram absolutamente raros”, explica. “Quando você lidera um movimento com pessoas que nunca foram ouvidas, que lutavam para ter o básico da dignidade, meu papel era defender essas pessoas com unhas e dentes.”
O candidato disse ainda que hoje está “em outro lugar”, como candidato ao cargo mais alto da maior cidade do Brasil. “Não sou mais líder de um movimento social. Sou deputado federal. Aprovei 3 projetos de lei no meu primeiro ano de mandato, com votos do MDB, PSDB, União Brasil, Republicanos… partidos que têm uma visão ideológica absolutamente diferente da minha”, destacou.
“Eu sou a mesma pessoa. Continuo sendo uma pessoa que acredita que a política é o instrumento para melhorar a sociedade, não para ganhar dinheiro”, continuou Boulos. “O que mudou é que aprendi, com o tempo, que às vezes é preciso aprender a respirar e engolir em seco ao ver uma injustiça e não reagir com raiva e aquele ímpeto. A melhor maneira de enfrentar esta injustiça é não ser reativo.”
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Venezuela
Na entrevista, o candidato do PSOL a prefeito de São Paulo também foi questionado sobre as eleições presidenciais na Venezuela, que devolveram ao poder o ditador Nicolás Maduro, sob desconfiança generalizada da comunidade internacional.
Maduro foi declarado vencedor das eleições presidenciais da Venezuela, segundo a CNE, supostamente derrotando o principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia. O resultado foi recebido com perplexidade pela grande maioria dos países democráticos ocidentais, já que o candidato da oposição apareceu bem à frente de Maduro em todas as sondagens dos principais institutos.
A oposição acusou o regime de fraudar as eleições e vários organismos internacionais independentes destacaram irregularidades nas eleições. Vários países, como os Estados Unidos, não reconheceram a vitória de Maduro.
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“A democracia, para mim, é um princípio inegociável, seja aqui, na Venezuela ou em qualquer outro lugar. Sou filiado ao PSOL, ajudei a construir a nota do partido [sobre o tema] e a minha posição é que as exigências de transparência no processo eleitoral da Venezuela são absolutamente justas”, defendeu Boulos.
“Além das posições partidárias, o governo federal, juntamente com os governos da Colômbia e do México, se posicionaram, e é nesta posição que me ancoro, exigindo que o governo venezuelano respeite as instituições, seja transparente e publique a ata eleições”, afirmou.
Quando questionado expressamente se considerava o regime venezuelano uma democracia ou uma ditadura, Boulos saiu pela tangente e não classificou Maduro como ditador. “A Venezuela não é meu modelo de democracia. Se ficar comprovado que houve fraude nas eleições e o governo que praticou a fraude continuar no governo, você não terá mais democracia”, afirmou o deputado.
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Tentando equilibrar entre uma postura mais crítica em relação à Venezuela e a identificação com a ideologia de esquerda, Guilherme Boulos rejeitou qualquer comparação entre o PT – que divulgou um comunicado reconhecendo a vitória de Maduro nas eleições – e regimes autocráticos. O PT indicou a ex-prefeita Marta Suplicy para ser candidata a vice na chapa de Boulos.
“O PT perdeu inúmeras eleições presidenciais e ganhou muitas outras. Sempre que perdeu, não tentou dar um golpe, não questionou o resultado eleitoral e não propôs mudança de mesa. Esse debate sobre a Venezuela, que é importante, não pode ofuscar outro debate”, afirmou o candidato do PSOL.
“Recentemente, meu adversário, Ricardo Nunes, que atualmente ocupa o cargo de prefeito de São Paulo, disse que não houve tentativa de golpe no dia 8 de janeiro [de 2023, no Brasil]. Disse que eram ‘moças’, a mesma narrativa bolsonarista. Isso me preocupa muito mais”, concluiu.
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Caso Janones
Durante audiência, Boulos também teve que explicar sua decisão de votar pelo arquivamento de representação contra o deputado André Janones (Avante-MG)no Conselho de Ética da Câmara, em junho.
A ação contra Janones foi movida por um representante do Partido Liberal (PL), que acusou o parlamentar de ter recebido parte dos salários dos funcionários cedidos ao seu gabinete para ajudar a cobrir despesas de campanha eleitoral. Uma investigação sobre a denúncia tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em seu parecer sobre o caso, Boulos pediu o arquivamento do caso no Conselho de Ética da Câmara, sob o argumento de que a suposta “rachadura” teria ocorrido em 2019, antes do atual mandato de Janones. Boulos mencionou a jurisprudência adotada pelo colegiado em casos anteriores.
“Rachadinha é corrupção, rachadinha é crime, independente de quem pratica. O que estava em jogo no Conselho de Ética era o seguinte. Você teve um precedente de decisões, uma jurisprudência que liberou alguns deputados do PL de até serem levados ao Conselho de Ética porque o crime teria ocorrido antes da posse do atual legislativo. Foi um conjunto de casos, principalmente contra deputados de direita, que não foram acolhidos sob o argumento da jurisprudência técnica de que isso aconteceu antes da atual legislatura”, explicou Boulos.
“Não é razoável ter padrões duplos. Se Janones for considerado culpado pela investigação que está realizando, e sua investigação estiver no STF, ele poderá ser punido com prisão ou qualquer outra coisa. Assim como os apoiadores de Bolsonaro, como Flávio Bolsonaro, o [Fabrício] Queiroz, que acabou absolvido pela Justiça”, afirmou o deputado.
“Eu não libertei André Janones. Eu votei. O Conselho de Ética tomou esta decisão por 12 votos a 5.”
Segurança Pública
Guilherme Boulos também foi questionado sobre como resolver problemas relacionados à segurança pública em São Paulo – assunto sobre o qual, historicamente, a esquerda brasileira tem dificuldade de se posicionar de forma assertiva.
“Reunimos uma equipe extremamente diversificada que trabalhou na área de segurança para construir uma ideia abrangente para a cidade. Quando você se torna prefeito, você não representa apenas seu partido e suas convicções. Tem que representar a cidade e, portanto, ter capacidade de conversar com todo mundo”, disse Boulos.
“Tendo vencido as eleições, uma das primeiras coisas que farei é ligar para o governador Tarcísio [de Freitas]ligue para o Ministro da Justiça [Ricardo Lewandowski] e o presidente Lula para construir, à mesa, soluções conjuntas de segurança para a cidade de São Paulo. Não há caminho sem integração”, afirmou.
Não há “bala de prata” na Cracolândia
Segundo o candidato do PSOL, não há “bala de prata” ou “solução demagógica” para resolver o drama da Cracolândia na capital paulista. A região abriga usuários de drogas e dependentes químicos em geral, que se aglomeram nas estradas, praticamente à margem da atuação do poder público.
Na terça-feira (6), uma megaoperação envolvendo Ministério Público (MP), Receita Federal, Polícia Militar (PM), Polícia Civil, Polícia Federal (PF) e Ministério Público do Trabalho (MPT) prendeu um dos chefes da Primeira Comando da Capital (PCC), três guardas civis metropolitanos e dois traficantes de drogas, além de um ex-agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Segundo as investigações, os guardas e ex-guardas detidos são suspeitos de fazerem parte de uma milícia que ali atuava. Os dois traficantes, por sua vez, teriam participado na venda de armas ilegais e cometido exploração sexual e prostituição.
“O caminho é integrar três áreas: saúde mental, assistência social e segurança. A primeira coisa que a prefeitura tem que fazer é não deixar milícias debaixo do seu nariz”, disse Boulos.
“O GCM tem o meu respeito. Conheço muitos guardas civis que fazem o seu trabalho com dedicação. Agora, quando alguém usa o uniforme para cometer um crime, essa pessoa tem que ser afastada do serviço público”, acrescentou.
Tarifa zero aos domingos
Questionado sobre a tarifa zero nos ônibus paulistas aos domingos, instituída pelo prefeito Ricardo Nunes, Boulos disse que, antes de pensar em ampliar o programa, é preciso “colocar uma lupa nos gastos da prefeitura com subsídios” às empresas que atuam no setor de transportes.
“Além das passagens que as pessoas pagam todos os dias no ônibus, a prefeitura disponibiliza um suplemento que hoje é a metade do custo do sistema. Os critérios para este pagamento não seguiram o contrato. Criaram uma fase de transição para que as empresas recebam mais do que deveriam receber”, disse Boulos.
“Os subsídios só aumentaram na cidade de São Paulo, quase dobraram nos últimos 3 anos pós-pandemia, e o número de ônibus em circulação reduziu”, continuou o deputado.
“O que queremos é sanear os contratos de ônibus. Quando isso acontecer, estou muito confiante de que conseguiremos ampliar a tarifa zero e gastar ainda menos do que gastamos hoje com subsídios”, prometeu.
“O custo da tarifa zero aos domingos é muito pouco relevante em relação ao valor total de quase R$ 6 bilhões por ano. É possível prorrogar a tarifa zero. Fizemos o cálculo”, concluiu.
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