Márcio Aparecido da Cruz Germano da Silva fará história nesta sexta-feira (26), ao tomar posse como juiz de primeiro grau da Justiça do Trabalho de São Paulo. Isso porque, aos 44 anos, o paranaense de Maringá (PR) será o primeiro com deficiência visual a ocupar o cargo de juiz de primeiro grau.
“Estou muito feliz por realizar esse sonho. Uma expectativa muito alta. Sei que vai dar muito trabalho, mas o tribunal já falou comigo de uma forma muito simpática e está me recebendo muito bem. Tenho certeza que, junto com o tribunal, vou trabalhar integralmente e fazer aquilo que acredito”, afirmou Germano. “O direito trabalhista trata do que há de mais delicado na vida humana, que é o trabalho.”
Germano perdeu completamente a visão quando criança. Dois erros médicos causaram cegueira permanente, segundo ele. Aos quatro anos, Germano teve febre, mas o médico que o atendeu achou que ele estava prestes a ter uma convulsão. Germano recebeu medicação com dosagem para adulto, mas é alérgico. A partir desse momento, ele desenvolveu a síndrome de Steven Johnson.
“Provoca uma espécie de queimadura no corpo, pela reação do organismo àquele medicamento. Então perdi todo o tecido que cobria meu corpo. Eu tive insuficiência renal. Os próprios médicos atribuíram a minha recuperação a um milagre. Por conta disso, fiquei com sequelas nas córneas e na conjuntiva”, relatou.
Depois de perder parcialmente a visão, Germano enfrentou outro problema médico. “No meio da minha primeira série (ensino fundamental), o segundo erro médico, agora um erro oftalmológico, causou a perda da visão do olho que eu conseguia enxergar. Fiquei cego aos oito anos. Então foi uma sequência de dois erros médicos em quatro anos.”
Germano passou em outros dois exames antes de ingressar no judiciário. Em 2005, como técnico judiciário. Seis anos depois tornou-se analista judicial atuando no TRT da 9ª região até hoje. Germano exerceu suas funções no gabinete do desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, tornando-se o primeiro magistrado cego do Brasil.
Ao estudar, Germano encontrou dificuldades desde o ensino fundamental com a falta de acessibilidade. “Depois de 2006, principalmente com o advento da convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, que foi ratificada pelo Brasil em 2009, iniciou-se um processo de inclusão mais incisivo, porque a nossa Constituição dizia que era ‘preferencialmente’ a inclusão de pessoas com deficiência na escola, o que abriu espaço para aquele ensino que chamamos de segregado”, disse Germano.
Na faculdade de Direito, pôde estudar com a expansão dos livros em formato digital, “porque o Braille não chegou ao direito na velocidade e dimensão dos livros jurídicos. São livros gigantes. Recebi um livro de direito durante todo o meu curso universitário em formato braille. O resto foi através da ajuda dos colegas e depois da digitalização que ampliou as minhas possibilidades”, disse ele.
Germano explica que o material para estudo, hoje, vem em um arquivo mais acessível. Há duas décadas, a situação era diferente.
“Eles eram principalmente arquivos de palavras. E aí, a partir disso, tudo que estava no texto, o leitor de tela converte em uma voz sintetizada. Aí eu poderia dar um comando para ele ler um caractere, uma palavra, uma linha, um texto inteiro, e ele lê”, afirmou. “Hoje entro em contato com a editora, indico meu estado, envio relatório médico, assino termo de responsabilidade para não repassar esse material, e hoje posso comprar, em alguns, mas não em todos, um livro em formato digital acessível.”
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