O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (18) para tornar réus os suspeitos de serem os responsáveis pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
O juiz entendeu que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) cumpre os requisitos e apresenta provas mínimas da prática dos crimes e da autoria dos arguidos.
A análise foi feita pela Primeira Turma do STF.
“Da leitura da denúncia e das provas recolhidas pelo MP [Ministério Público] verifica-se que a PGR explicou todas as exigências de forma compreensível”, afirmou Moraes. “O discurso acusatório permite logicamente que todos os acusados compreendam plenamente as acusações feitas contra eles.”
Moraes refutou as afirmações de que a denúncia se baseava apenas no depoimento do ex-policial militar Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle e Anderson. Ele disse que há dados de documentos e depoimentos que sustentam as afirmações.
“Não é permitida a condenação com base apenas na negociação de pena. Mas a jurisprudência e a legislação foram mais longe, não permitindo a recepção de uma queixa apenas com base na delação premiada. Colaboração não é prova, é um meio de obter provas”, afirmou.
“Entendo aqui que há a presença de justa causa para recebimento da denúncia, pois a colaboração foi corroborada por outros elementos probatórios que fornecem prova suficiente de autoria para recebimento da denúncia.”
O ministro também rejeitou os argumentos da defesa sobre a incompetência do Supremo para analisar o caso e a suspeição ou impeachment do ministro Flávio Dino.
Relator do inquérito, Moraes foi o primeiro a votar. Todos os outros ministros da Turma seguiram Moraes: Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Flux e Cármen Lúcia.
Os ministros analisam se aceitam ou não a denúncia da PGR no caso Marielle. A acusação foi movida contra:
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCRE-RJ);
- Chiquinho Brazão (sem partido), deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
- Ronald Paulo de Alves Pereira, policial militar apontado como ex-chefe da milícia Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro;
- Robson Calixto Fonseca, assessor de Domingos Brazão.
Com a decisão do Painel, foi instaurada ação penal contra eles.
A investigação que chegou ao STF tem como base o depoimento do ex-policial militar Ronnie Lessa, réu confesso dos assassinatos do vereador do Rio e do motorista.
Aqueles relatados
Os irmãos Brazão, supostamente mandantes do homicídio, foram indiciados por homicídio e organização criminosa.
Rivaldo Barbosa, que supostamente atrapalhou a investigação do crime e ajudou no planejamento, foi acusado de homicídio.
Os três estão em prisão preventiva desde 24 de março em penitenciárias federais.
Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, foi denunciado por uma organização criminosa. Ele foi preso em 9 de maio.
Segundo a PGR, ele integra a organização criminosa ao lado dos irmãos Brazão, sendo “representante” da milícia que apoiava a dupla em atividades ilegais de grilagem de terras e atua como “gestor” na gestão de negócios imobiliários irregulares.
Ronald Pereira, conhecido como “Major Ronald”, foi acusado de homicídio.
Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), ele teria monitorado as atividades de Marielle —na época, vereadora na capital fluminense— e repassado informações sobre o crime aos autores do homicídio.
Ronald também foi alvo de mandado de prisão pelo caso Marielle no dia 9 de maio, na mesma operação da PF que prendeu “Peixe”.
Segundo a PGR, Marielle tornou-se a principal opositora e “o símbolo mais ativo de resistência” aos interesses econômicos dos irmãos Brazão.
Visando o mercado imobiliário irregular, Domingos e Chiquinho teriam investido em práticas de “grilagem de terras” nas mesmas áreas milicianas onde constituíam seus redutos eleitorais. Segundo a denúncia, as iniciativas políticas do vereador, em assuntos relacionados ao tema, “tornaram-se um problema grave” para o Brazão, e motivaram o planejamento de sua execução.
Na época diretor da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa assumiu a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro às vésperas do assassinato de Marielle e Anderson. Rivaldo teria garantido ao Brazão que a investigação do crime seria “difícil” se fosse necessária.
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