Além das mortes e das quase 600 mil pessoas desabrigadas, as chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o final de abril devem gerar outro problema para os moradores do estado: as doenças decorrentes das enchentes.
A infectologista Natalia Reis, da Santa Casa de São José dos Campos, afirma que a comunidade médica já observa três fases das doenças: as de diagnóstico rápido, as doenças em período de incubação e as psicossomáticas. Segundo o último boletim da Defesa Civil, divulgado na manhã desta segunda-feira (20), mais de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas pelas enchentes no estado.
“Numa primeira fase teremos muitos casos de gastroenterites, hepatite A, doenças de pele e infecções virais respiratórias. Em segundo lugar, as doenças que têm um período de incubação mais longo serão mais preocupantes, por exemplo: leptospirose e dengue. Todas as arboviroses têm período de incubação mais longo, como a chikungunya”, disse o infectologista.
Reis alerta para uma terceira etapa: as doenças de natureza psicológica, geradas pelos traumas vividos pelos sobreviventes. “Há essa repercussão imediata agora, que é realmente salvar as pessoas e tirá-las desta crise inicial. Mas também tem pó”, finalizou o médico.
Contaminação da água
O epidemiologista Natan Katz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destaca que também é preciso ficar atento a outras doenças, como as intoxicações que causam diarreia.
“Temos doenças diarreicas muito frequentes, tanto por bebermos água contaminada, como muitas vezes por dificuldades de higiene. Como não há água, é difícil limpar as mãos e os alimentos”, comentou Katz.
O epidemiologista ressalta a preocupação com as infecções causadas pela água contaminada, pois, segundo ele, apenas o contato com a enchente, mesmo sem ingestão, pode trazer consequências, como é o caso da leptospirose e das doenças alérgicas e infecciosas de pele.
Ações de Prevenção
A infectologista Natália Reis alerta para a necessidade de ampliar as campanhas de vacinação entre a população do estado.
“O país inteiro tem que estar alerta sobre isso. Doenças que poderiam estar sob controle precisam de mais atenção, como o H1N1, pois estamos no período sazonal. Na maioria dos estados já começou”, disse ela.
Em algumas áreas, as pessoas já foram autorizadas a regressar às suas casas. A médica afirma que, ao voltar para casa, é preciso manter os cuidados.
“Eles não podem entrar em contato com lama ou água sem proteção. Então você tem que usar botas. Tem que usar calçado fechado com saco plástico envolvido e limpá-lo com água sanitária”, alertou o infectologista.
O médico Natan Katz avalia que a responsabilidade do governo do Rio Grande do Sul é garantir o bom funcionamento da rede de saúde.
“Terá de haver um esforço para avaliar cada um destes locais, se têm condições de servir as pessoas com a devida assepsia, garantindo que os locais estão adequadamente limpos”, afirmou o epidemiologista.
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