Aguinaldo Silva Ele acha divertido falar sobre suas memórias: “Foi quase como um conto de fadas. Um conto de fadas sem moral.”
Em “Meu Passado Me Perdoa – Novela Memórias de uma vida”, aos 81 anos, o romancista conta histórias de sua infância, juventude, carreira como jornalista e como autor de novelas.
Em entrevista com CNNo criador da icônica Nazaré, da novela “Senhora do Destino”, falou sobre como suas vivências influenciaram suas histórias e personagens.
“Desde muito cedo morei na rua. Tive uma vida com minha família, no ensino médio, mas tive uma vida muito mais intensa e muito mais ativa na rua. Isso me proporcionou uma grande experiência de vida e de conhecimento das pessoas, da alma humana. O resultado foi um lado muito popular em tudo que escrevo. Minhas novelas são muito populares. Os tipos são muito reais porque a maioria deles eu conheci ou pelo menos soube criar porque me baseei em pessoas que sempre conheci”.
A infância de Aguinaldo Silva em Recife
Em “Meu Passado me Perdoa – Memórias de uma vida novelística”, o autor revela uma história amarga. Aos treze anos foi eleita Rainha da Primavera, concurso que acontecia todos os anos no Colégio Americano Batista, em Recife, onde estudou.
“Eu era pobre, feio, esquisito. E o pior de tudo para meus colegas do ensino médio: eu era assumidamente afeminado. E foi então que um dos meninos mais velhos, ao me ver passar no recreio com meu andar de cisne envergonhado, teve a ideia: ‘Não eleja meninas desta vez. Vamos votar na galinha’”.
Sobre o episódio narrado pela primeira vez nas memórias, Aguinaldo Silva observa: “Somos feitos de mágoas do passado. Esquecemos e nunca imaginamos o quanto isso nos afetou. Esse caso foi uma coisa brutal, que eu havia apagado da memória há anos. Quase fui linchado, quase fui morto por crianças da minha idade.”
O autor acrescenta a descoberta que fez ao escrever sobre este episódio.
“Foi nesse momento, quando cheguei em casa e fingi que nada tinha acontecido, que deixei de ser criança, porque fingi, né? Fingi como os adultos costumam fingir. Foi muito importante para mim escrever essa cena, por isso resolvi abrir o livro com ela, a revelação de que isso meio que me formou ou me forjou foi muito importante para mim, e só descobri isso quando resolvi escrever sobre a cena. evento.”
Jovem autor, jornalista e romancista renomado
Aos 16 anos, ainda em Recife, publicou seu primeiro livro, “Redenção por Emprego”. O sucesso em torno do livro o levou ao jornalismo, quando começou a escrever para o jornal “Última Hora”, de Samuel Wainer, que chegou ao Nordeste e procurava jovens profissionais mesmo sem experiência.
“Meu primeiro livro foi quase uma reportagem, sobre uma casa que alugava quartos para pessoas mais carentes. E causou um certo burburinho porque eu era jovem, a linguagem era ousada”
Meu primeiro livro foi quase uma reportagem, sobre uma casa que alugava quartos para pessoas mais necessitadas. E causou um certo rebuliço porque eu era jovem, a linguagem era ousada
Aguinaldo Silva, em entrevista à CNN
Aos 20 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou repórter policial. O convite para ser roteirista de televisão veio anos depois. Na ocasião, Aguinaldo Silva recebeu um telefonema de Daniel Filho, um dos mais renomados diretores da TV brasileira, para ser um dos roteiristas de uma nova série da Rede Globo, “Plantão de Polícia”.
“Foi um choque, pelo seguinte: porque eu não tinha nenhuma familiaridade com televisão. Então, eu nunca assisti televisão. Novela que eu nunca tinha visto. Então fiquei com medo, mas aprendi rápido e acabei sendo chamado para escrever romances.”
Sua carreira durou 41 anos, 16 novelas e diversas minisséries. Entre elas: “Tieta”, “Senhora do Destino”, “Império” e “Tenda dos Milagres”.
Sobre o sucesso de seu trabalho, a autora observa no livro: “Tieta com seu ‘público estúpido’ (frase dita por um ex-executivo da Globo) me elevou ao céu do universo televisivo como uma estrela de primeira grandeza. ”
“Quando a emissora decidiu que em 2015 o ‘Império’ seria seu representante no Emmy Internacional. E não é que a safada foi lá e – lutando contra novelas do mundo inteiro – venceu?”
O que o autor pensa da onda de remakes na TV
Afastado da Rede Globo desde 2020, Aguinaldo Silva comenta as quatro décadas dedicadas à teledramaturgia e lembra pessoas-chave nesse processo. “Assisti à televisão em um momento glorioso. O que estava acontecendo com o advento das novelas com Boni, Daniel Filho, Paulo Ubiratan é que essas pessoas estavam criando uma língua brasileira muito específica, uma língua que virou mania nacional.”
Aguinaldo considera que a televisão já não tem a mesma participação na vida nacional com a concorrência dos novos meios de comunicação. “Hoje em dia você já tem Tik Tok, Instagram, que são pura distração e nada mais. Você passa horas assistindo vídeos do Tik Tok e não aprende nada”, completa.
O autor também critica a fase de regravações de novelas como “Renascer”, a original de 1993, que está no ar em nova versão.
“Tenho uma certa restrição nessa coisa dos chamados remakes. Primeiro porque a novela é um trabalho de equipe, a novela não tem dono, tem quem escreve, mas quem sabe, depende do elenco e da direção. E depende também dos ventos soprados pelo público, do que as pessoas querem ver naquele momento. Quando tudo coincide positivamente, a novela é um sucesso. Mas é um sucesso nesse momento, por exemplo, ‘Vale Tudo’. ‘Vale Tudo’ chegou na hora certa, uma novela escrita na hora certa. Hoje em dia exigiria certas adaptações a uma nova realidade que talvez fragilize a novela. Sou contra o remake por causa disso. A novela funciona quando acontece.”
Com certa nostalgia, o autor também fala sobre a diferença de ritmo da televisão e do streaming.
“Hoje, quando uma série é aprovada, demora pelo menos dois anos para ficar pronta, envolve todo o trabalho de produção. Não televisão. A televisão funcionou no calor do momento, às vezes tive situações que narro no livro, tive que mudar, toda uma sequência de cenas e uma noite porque tinha acontecido alguma coisa. Um ator que passou mal ou durante o período de censura algo ameaçou mudar a novela para as 23h. Acho que nunca se sabe o que pode acontecer, mas acho que esse clima de urgência absoluta da novela é o que dá, esse sentimento de vivacidade. Isso significa que a novela está viva, certo? Ela é acontecendo na frente do espectador e ele não sabe o que está por vir, certo? Acho que isso é o bom da novela. Tem imprevistos que exigem criatividade de todos do elenco, do autor e da própria direção da emissora, o que vão fazer que não vão fazer? Isso é muito bom, né?”, finaliza.
Serviço:
“Meu passado me perdoa – memórias de uma vida novelística”
Editora: No entanto
Páginas: 400
Preço: R$ 89,90

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