O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (22) as novas versões dos acordos com a Petrobras na área de refino e gás, que autoriza a estatal a manter cinco refinarias que estavam no plano de vendas desde 2019 .
Em troca de ser liberada dos desinvestimentos, que incluem a preservação da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), a estatal se comprometeu a adotar compromissos majoritariamente comportamentais, o que foi acatado pelo órgão antitruste.
A obrigação de venda de oito refinarias – foram vendidas três unidades – foi assinada entre o Cade e a Petrobras durante a gestão de Jair Bolsonaro, em resposta às preocupações do conselho em conter o risco de abuso de sua posição dominante pela petroleira.
Com o início do mandato do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, porém, a Petrobras indicou que não deseja continuar com o plano de vendas.
Por isso, no final do ano passado, o Cade oficializou o desejo de alterar os Termos de Compromisso de Cessação (TCCs), tradicionalmente firmados entre o órgão e empresas investigadas por supostas violações da ordem econômica.
Ao propor novos compromissos ao Cade, a estatal argumentou que há uma mudança econômica e geopolítica global que exige investimentos nas refinarias nacionais para aumentar a capacidade de abastecimento do mercado interno.
Ele disse ainda que existem “amplas alternativas” de fornecimento para refinarias independentes, o que mitigaria o risco de aumento de custos por parte dos rivais da Petrobras.
Ao votar o caso, a conselheira Camila Alves afirmou que os compromissos assumidos pela Petrobras reduzem a assimetria de informações, proporcionando “transparência” e facilidade na detecção de práticas anticompetitivas, mas destacou que não substituem a necessidade de regulação eficaz ou intervenções específicas.
“O acompanhamento dos compromissos assumidos é fundamental para garantir o sucesso das obrigações”, disse.
Responsável por levar a questão a julgamento, o presidente Alexandre Cordeiro afirmou que o TCC fortalece a transparência das operações da Petrobras e melhora o acesso do conselho às complexas operações da estatal, argumentando que o sistema de monitoramento que estará em vigor sobre a Petrobras traz celeridade e eficiência na gestão dos recursos públicos.
“O objetivo do TCC não é privatizar as refinarias, até porque essas unidades são privadas, o objetivo foi garantir a entrada de novos players no mercado”, disse o conselheiro Gustavo Augusto.
Com o novo acordo na área de refino, a Petrobras precisará publicar suas diretrizes comerciais gerais para entregas de petróleo por via marítima, com monitoramento de rotina feito pelo Cade.
As diretrizes serão norteadas por princípios como preservar e priorizar os resultados econômicos da empresa, buscando maximizar sua geração de valor, praticando “preços sempre competitivos, alinhados ao mercado internacional”.
O documento também prevê a oferta de Contratos Quadro a qualquer refinaria independente em território brasileiro, dando-lhes a vantagem de extrair “maiores benefícios” em suas negociações de fornecimento de petróleo por via marítima com outras contrapartes.
Este modelo de contrato estabelece as condições básicas para a negociação, carga a carga, de um volume de petróleo. A obrigação de compra e venda só será assumida se ambas as partes chegarem a um acordo de preço.
A estatal também tentou responder ao Cade sobre investigações iniciadas após a conclusão do TCC em 2019, que miram a atuação da petroleira.
Nesse sentido, o Cade poderá acompanhar a aplicação da nova estratégia comercial da Petrobras para a oferta a terceiros, em território brasileiro, de produtos derivados, notadamente: gasolina, diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), querosene de aviação (QAV ), óleo combustível e asfalto (juntos, Derivados de Petróleo).
O compromisso inclui ainda fornecer ao Cade, em ambiente controlado, acesso a relatórios confidenciais atualizados da estatal, contendo os preços praticados na oferta a terceiros e as respectivas referências utilizadas na precificação dos derivativos.
Esses documentos serão atualizados e disponibilizados a cada 30 dias. Entre as investigações contra a estatal está a investigação instaurada em 2019 para apurar alegado abuso de posição dominante no mercado de refinação de petróleo.
As investigações ficam suspensas enquanto durar o TCC, que tem validade de três anos.
TBG.
No caso do TCC para o segmento de gás, a Petrobras argumentou ao Cade que a venda da TBG afetaria negativamente a nova estratégia e modelo de negócios da empresa.
“O Compromisso buscou negociar obrigações alternativas que proporcionem ao CADE o conforto necessário para eliminar quaisquer dúvidas sobre a preservação da concorrência no mercado brasileiro de gás natural”, disse a Petrobras.
Embora afirme que a governança corporativa da TBG já garante a independência operacional da empresa em relação à Petrobras, o acordo validado prevê medidas adicionais para eliminar “qualquer possível influência” da empresa nos mecanismos de gestão da transportadora que possa ser considerada relevante do ponto de vista concorrencial de vista. .
A Petrobras terá, por exemplo, que cumprir algumas obrigações até que a certificação de independência da empresa seja emitida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A nomeação de conselheiros independentes pela empresa estatal também terá necessariamente de ser mediada por um “head hunter” independente. Neste TCC, a duração prevista é de cinco anos.
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