A primeira deflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em mais de um ano abre caminho para uma política monetária menos agressiva por parte do Banco Central (BC), na avaliação de economistas ouvidos pelo CNN.
Na opinião de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a surpresa positiva com os dados soma-se ao direcionamento dos diretores do município quanto à dependência de indicadores para tomada de decisão. Desta forma, o economista entende que a necessidade de aumentar os juros ainda não está estabelecida.
“Todas as declarações dos diretores do BC reafirmaram a dependência de dados para a tomada de decisões, o que significa que a surpresa baixista e estruturalmente benigna do IPCA deixa a possibilidade de manutenção da Selic muito viva, como projetamos”, escreveu Sanchez.
A autoridade monetária se reúne na próxima semana para decidir sobre o futuro da taxa básica de juros da economia (Selic). A taxa está mantida em 10,50% ao ano desde maio, quando o BC anunciou a última queda do ciclo atual.
A inflação oficial desacelerou em agosto, com leve queda de 0,02%. No mês anterior, o índice havia registrado alta de 0,38%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última vez que o IPCA registrou queda foi em junho de 2023, quando caiu 0,08%.
Com o resultado do mês, o índice se afasta um pouco do teto da meta de inflação, de 4,5%.
Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, ainda não é possível definir se o Comitê de Política Monetária (Copom) optará pela manutenção dos juros na reunião da próxima semana. Porém, o especialista ressalta: “será muito estranho para o Copom aumentar os juros com essa melhora do IPCA. O IPCA provavelmente fechará abaixo do teto da meta este ano.”
O Inter, em seu comunicado, considera o resultado “bastante positivo”, tanto do ponto de vista qualitativo quanto qualitativo.
A instituição financeira entende que não é necessária elevação dos juros diante do cenário atual, mas reconhece que a desancoragem das expectativas inflacionárias nos últimos meses terá peso maior no processo decisório do Copom.
Apesar disso, o Inter destaca que o resultado desta terça contribui para uma inflação mais moderada que, aliada ao alívio externo com provável corte de juros nos Estados Unidos, deve fortalecer os argumentos para uma postura menos enérgica do BC.

“Com uma inflação bem comportada, além do alívio externo esperado à medida que o Fed corta os juros, prevemos que o ciclo de aumento será curto, tanto em termos do número de aumentos quanto da magnitude desses aumentos”, afirma o Inter.
Mercado aquecido
O número negativo verificado em agosto ainda não consolida a leitura de que a inflação deverá seguir trajetória descendente. Para o economista da Fundação Getúlio Vargas, André Bráz, os preços vão subir em setembro, impactados principalmente pela mudança na bandeira tarifária de energia elétrica.
“O cenário entre agosto e setembro mudou muito e o IPCA agora indica uma grande aceleração, já que a energia ficou mais cara devido à bandeira vermelha nível 1 e à forte desaceleração na queda dos preços dos alimentos. Ambos ainda são afetados pela seca que afeta a geração de energia e a produção de alimentos.”
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adotou bandeira vermelha 1 para setembro, mais caro que agosto.
Bráz também diverge na leitura do impacto do resultado na política monetária. O pesquisador destaca que o aquecimento do mercado de trabalho, o aumento da demanda e o câmbio desvalorizado são outros fatores que contribuirão para o aumento do IPCA de setembro.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research também cita o crescimento robusto da economia como um fator importante para pressionar os preços. “Embora esse crescimento seja positivo para a atividade doméstica, poderá gerar pressões inflacionárias ou retardar o ritmo de desaceleração.”
Para o especialista, somam-se a isso as expectativas de inflação não ancoradas e de câmbio acima de R$ 5,50. “O BC deverá iniciar um ciclo de reajuste gradual da taxa de juros na próxima reunião, de 0,25 pp, levando a Selic a 11,25% ao ano até o final do ano”, diz em nota.
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