A Justiça argentina autorizou o brasileiro Antônio Inácio da Silva Neto, acusado de praticar um golpe de R$ 1 bilhão por meio da criptopirâmide financeira Braiscompany, a cumprir prisão domiciliar no país. Neto havia sido preso em março deste ano, junto com a esposa Fabricia Farias Campos, em operação da Polícia Federal e da Interpol. Fabrícia já cumpria confinamento em casa.
O pedido de flexibilização foi feito pela defesa do criminoso. De acordo com a decisão a que a reportagem teve acesso, os advogados relataram que Neto precisou sair da cadeia para ajudar a cuidar dos filhos, já que sua companheira “sofre de hipertensão e toma remédios” e não tem “ajuda de nenhum membro da família” para lidar com crianças, o que foi aceito pelos tribunais.
O Tribunal Penal e Correcional Federal da Argentina, responsável pela análise do caso, também disse que a medida se justifica porque o pedido de extradição do casal para o Brasil se encontra em “estado incipiente”, pois o país não enviou as informações solicitadas pela Justiça. da nação vizinha. Além disso, segundo o tribunal, Neto e Fabricia não têm antecedentes criminais.
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Ainda de acordo com a decisão, Neto não pode sair de residência, caso contrário a prisão domiciliar poderá ser revogada, e ele estará proibido de sair do país. O brasileiro será monitorado por um aparelho GPS.
Entenda o case Braiscompany
A Braiscompany foi fundada em Campina Grande (PB), em 2018, por Neto e Fabricia. A empresa afirmava ser a maior gestora de ativos criptográficos da América Latina. Segundo as autoridades, porém, a empresa era na verdade uma pirâmide financeira. No final de 2022, porém, o esquema ruiu e deixou cerca de 20 mil pessoas no prejuízo.
Através do esquema fraudulento, o casal levantou dinheiro de pessoas, sem autorização dos órgãos reguladores, com a promessa de pagar juros de 10% ao mês sobre o valor por meio de operações no mercado de criptomoedas. A promessa de lucro é algo atípico e inviável no mercado de renda variável.
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Após a queda, a Braiscompany passou a ser alvo das autoridades. Só em 2023, a pirâmide foi alvo de quatro operações da Polícia Federal. Em abril deste ano, a Polícia Civil de São Paulo concluiu uma investigação sobre o esquema e também recomendou a prisão do casal. No Brasil, ambos foram condenados a cerca de 150 anos de prisão pela prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e a economia popular pela Justiça Federal da Paraíba.