O governo brasileiro não considera alterar a meta de inflação de 3% e prepara em breve um decreto para estabelecer o objetivo num horizonte contínuo, substituindo o atual modelo de ano civil, afirmaram duas fontes governamentais familiarizadas com o assunto.
Sob condição de anonimato devido ao caráter privado do debate, uma das fontes disse que o decreto deveria ser publicado em junho, enquanto a outra disse que seria publicado “em breve”.
As declarações foram feitas após comentários do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a atual meta de inflação ser “muito exigente” estressaram o mercado de juros na quarta-feira (22), com as operadoras levantando temores sobre a potencial mudança para uma meta maior que poderia abrir espaço para uma taxa de juros menor. política monetária restritiva.
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“Se o Brasil está tendo dificuldades para cumprir uma meta menor, e a inflação é insensível às taxas de juros, temos que pensar nas questões institucionais”, ponderou Haddad em audiência no Congresso na quarta-feira, acrescentando que uma das principais questões institucionais é o quadro fiscal.
“A meta de inflação de 3% é ousada para a história do Brasil. Se quisermos perseguir esse objetivo, temos que abrir esse debate”, acrescentou Haddad, sem se aprofundar no assunto.
Operadores ouvidos pela Reuters afirmaram que as declarações também levantaram temores de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) possa considerar o assunto em reunião já marcada para esta quinta-feira.
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O CMN é composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, o que significa que o governo federal detém dois dos três votos. As reuniões acontecem na última quinta-feira de cada mês e, embora a definição das metas de inflação normalmente ocorra em junho, ela pode ser antecipada.
Mas as duas fontes governamentais entrevistadas pela Reuters afirmaram que não há mudança de alvo no radar.
A mudança para verificação da meta em calendário contínuo havia sido anunciada em junho do ano passado, mas sua implementação efetiva depende de decreto presidencial que ainda não foi assinado.
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Na prática, isso significa que caso o decreto não seja publicado até o final do próximo mês, o CMN terá que decidir sobre a meta de inflação para 2027, após ter definido a meta de 3% para 2024 a 2026.
Autoridades governamentais já argumentaram que o prazo contínuo implica uma abordagem de longo prazo, proporcionando mais espaço para acomodar choques de preços sem exigir um aperto monetário destinado apenas a cumprir a meta no ano civil.