(Reuters) – O anúncio do governo federal de que a indústria siderúrgica brasileira investirá cerca de R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos abrange grande parte dos projetos já em andamento e previamente anunciados por empresas do setor, que já existe há muito tempo . anos de baixa procura nacional e elevadas importações, segundo uma fonte e um inquérito da Reuters.
Após participar de reunião com o setor na segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “anunciamos agora mais R$ 100 bilhões em investimentos na siderurgia nos próximos cinco anos”, implicando que estes são novos empreendimentos.
Lula e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), vice-presidente Geraldo Alckmin, não deram detalhes dos novos investimentos, nem as empresas contactadas pela Reuters.
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Uma fonte do sector, que pediu para não ser identificada dada a delicadeza do assunto, disse que o anúncio “foi mais um movimento político” e uma “tentativa de pacificação com o governo”, por parte de um sector que tem vem exigindo há anos uma revisão das condições de competitividade do país como condição para ampliar sua capacidade.
“Foi um anúncio em que nada foi dito. Não vi nada de novo… Faltou substância”, disse a fonte. “Eles anunciaram 100 bilhões para gastar em quê? Quando?”
Procurado, o MDIC não respondeu imediatamente ao pedido de comentários.
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No mês passado, o governo atendeu a uma das reivindicações do setor ao aumentar a tarifa de importação de 11 produtos siderúrgicos de cerca de 11% para 25%, medida válida por um ano. Na época, o presidente executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a medida foi um “avanço muito importante, mas não resolve completamente” os problemas do setor.
Procurada sobre o anúncio de Lula, a empresa encaminhou o assunto à Aço Brasil, entidade que representa parte do setor siderúrgico do país, que não respondeu.
Atualmente, o Brasil tem capacidade de produção de 51 milhões de toneladas por ano de aço bruto, segundo dados da Aço Brasil, mas em 2023 o volume da liga que sai dos altos-fornos brasileiros foi de 32 milhões de toneladas, uma queda de 6,5% em relação a 2022 e um indicação de ocupação da capacidade de 63% frente a patamar que o setor considera ideal acima de 80%.
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Enquanto isso, as importações de aço em todo o país cresceram 50%, para 5 milhões de toneladas, o equivalente à produção de uma siderúrgica inteira como a Ternium CSA, no Rio de Janeiro, segundo dados da Aço Brasil.
Entre os planos de investimento já anunciados pela siderurgia brasileira estão R$ 25 bilhões da ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, entre 2022 e 2026, informou a empresa nesta terça-feira. O projeto inclui a compra da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará, por R$ 11,4 bilhões, concluída em março do ano passado.
A Gerdau, por sua vez, tem planos de investir R$ 8,6 bilhões em suas operações no Brasil entre 2021 e 2026, valor que inclui R$ 1 bilhão em expansão florestal, como parte da estratégia do grupo para reduzir sua pegada de carbono.
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Enquanto isso, a CSN, que nos últimos anos vem diversificando e concentrando esforços no setor cimenteiro, menos afetado pelas importações, tem planos de investir R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões por ano, em média, entre 2025 e 2028, em projetos que incluam, além de siderurgia e cimento, mineração.